18.10.09

O que me faz verdadeiramente amar algúem ( um homem)

Nota: Produzi este texto com inspiração do poema "As sem-razões do amor" de Drummond.



Já acreditei veementemente que o que me fazia amar um homem seria a inteligência.Divagações,elucubrações e digressões me conquistavam.Conhecimentos, fossem eles literários,matemáticos,artísticos,cinematográficos e práticos seduziam a eterna adolescente em mim.Mas percebi que não, não era isso que me fazia amar.Do que adianta um cérebro brilhante se ele não souber rir de si mesmo, se ele não souber apreciar o ócio de um sábado quente com cheiro de praia,água de coco, sorvete e pneu de bicicleta?Então resolvi: bom humor é necessário.

É maravilhoso a gente estar com alguém leve,alto astral,sorridente..que vive sem arrastar correntes e faz dos pequenos problemas cotidianos bobas piadas.Acontece que nem tudo é uma piada e, em certos momentos brancos, quero alguém que me conforte a alma, com um abraço quente,acolhedor e silencioso -o que já diz muito. Nessas horas nada pior do que ser levada na brincadeira.Recusa a sair da infância e alegria de viver são coisas completamente diferentes!Daí que uma certeza me invadiu o peito: sensibilidade. Era isso que,acima de tudo, me fazia amar alguém.

Mensagens de bom-dia,olhares soturnos,pequenos gestos incontidos.Entretanto, paralelamente à isso, eu preciso de alguém que brigue comigo de vez ou outra quando eu passar dos limites do bom senso, demonstre desagrado quando eu exigir demais ou oferecer de menos. Preciso que cuidem de mim, mas preciso também da certeza de estar com alguém com atitudes de um homem de verdade e não alguém com complexo de Peter Pan. Às vezes preciso ser tomada , domada.

Então não era e inteligência, nem bom humor, nem sensibilidade. Talvez fosse virilidade? - Mal abrir a porta de casa e ser consumida por beijos..cenas assim.. É - ser desejada com urgência (quando o desejo é também recíproco) é um dos maiores (nem tão melhores) elogios que uma mulher pode receber. Mas só ser desejada em nada adianta:quando acaba a vontade carnal, o que resta?Se o que realmente eles (tanto ela como ele) procuram é apenas "a movimentação"..aí tudo bem..(assim que inventamos "o ficar", não?).Mas se procuramos além disso e surge então a possibilidade de ser esmagada pelo vazio de sentindo após o prazer, de nada vale.Pelo menos se não vier acompanhado de cuidado,consideração... carinho. Seria ele então a chave para despertar o meu amor?Não.. carinho é um sentimento que engloba demais.. nos surge desde a visão de um cachorrinho até a palavra confortante de um desconhecido qualquer.

Hoje,já há algum tempo, quem sabe.. cansei de tentar adivinhar.Após tantas enumerações e teses sem fundamentos se não minha própria experiência e ou observação.. restringentes e paralisadoras, descobri. O que me faz amar um homem? - É o amor existir. Simples assim.
Quando nos torna necessário justificá-lo,procurá-lo,racionalizá-lo, é sinal de que ele não está(mais),ou nunca esteve ali.


(LEIAM O TAL POEMA DO DRUMMOND - é belo!!!)

22.5.09

Enquanto a verve não volta...

Com a esperança de reencontrar minha verve perdida no tempo e em terras gálicas e de me reeencontrar em tanto a escritora que um dia supus ser,posto aqui um dos meus textos vencedores, o segundo.. o qual eu não pude "colher os louros", pois já não estava mais entre meus professores,colegas e amigos.Nada como a primeira vez...

LE WONDERFUL CIRQUE LUSO-BRASILEIRO
Respeitável público, o show vai começar!Hoje tem palhaçada?Tem sim senhor!Ontem teve também?Teve, pois bem!E o palhaço, o quê que é?É homem,luso,índio,negro,cego,criança e mulher!
La veio a corte fugidia: D.João e família, fidalgos,funcionários régios e o pessoal do porão.Arlequim,pierrôs e colombinas à francesa "pra" fazer carnaval e, vestindo fantasia, a Revolução Industrial.Sejam bem-vindos ao paradisíaco Império Colonial!
É inégavel que a chegada da corte na Baía de Guanabara tenha alterado imponentemente o roteiro, as personagens e cenários urbanos da Nação (sobremodo pelas desapropiações,construções de teatros,escolas e jardins no Rio de Janeiro - feito em um quadro de Debret). Dessa maneira , peça por peça, o Estado lusitano refloreceu nas férteis terras brasileiras.A complexa rede burocrática implantou-se à revelia da Colônia e a ela se sobrepôs como um corpo estranho (a mão e a "lusa" luva do mais puro tecido inglês), uma vez que a reestruturação do Estado fez-se em prol da empregabilidade da nobresa parasita.
Primeiro Ato: A luta da burguesia agroexportadora versus o bicho-papão da Metrópole. Foi graças à abertura dos portos que esses mesmo patriotas garantiram para si as "liberdades" de produzir,comercializar e representar-se na cena política - um liberalismo funcional e tópico. Tal comércio franqueado às nações amigas que acarretou no término do "exclusivo" não sentiu mudanças na composição da força de trabalho.Esta continuaria da economia de "plantation" , ao passo que a prática "pós-colonial" se apresentava nos salões da corte com o nome de liberal e os homens do "laissez- faire" se satisfaziam com a fria franqueza do mercado.
Segundo Ato: Aqui nossos ilustres protagonistas re-encenam a luta burguesa de ingleses e franceses, enquanto a política mantém-se inflexível aos ventos do Atlântico.Tanto foi que nossa Independência não foi um conflito interno de classes.Deus-se fundamentalmente entre os interesses dos colonos,o apoio inglês e os dúbios projetos recolonizadores de Portugal (reduzidos praticamente à impotância após 1808). Aos nossos, coube a missão de cortar o cordão umbilical, conservando as instituições monárquicas da fase inicial (antilusitana?) porém nunca as estendendo aos grupos subalternos. O liberalismo brasileiro esteve (e está) apenas à altura do contexto.Cortar o cordão umbilical pouco nos adiantou de não fora Portugal quem nos amamentou e sim, a ama Inglaterra.
Considerando que o restante da América (de Bolívar a José Maria) obteve a Independência por meio de lutas (mais ou menos) sangrentas, a presença da corte no Brasil (des)favoreceu a ruptura colonial sem grandes convulsões sociais, já que nossa "luta" foi tão somenete a apropriação de um Estado já constinuído. O povo, como o carreiro de Pedro Américo, foi um mero ex(s)pectador!
À exceção do "libertas quae sera tamem" e dos mascates baianos, o país não valoriza aquilo que tem.Recebemo-lo por sorte(?)."Ter" não "desafia o nosso peito a própria morte". Ainda assim, cantamos com atávico lirismo: glória à cachaça e ao futebol. "Glória às lutas inglórias que através da nossa história não esquecemos jamais".E, se o estudo da história é olhar o passado considerando as indagações que são postas pelo presente, vejamos o terceiro e último ato.
A pátria já é uma adolescente acordando.Filha de Portugal,por anos imperializados por ingleses, é hoje,sob certo determinismo,subordinada aos filhos deles: os norte-americanos.Sem meias e sem sapatos, a pátria equilibrista titubeia sobre seus caminhos: a começar pelo real exercício de cidadania,combatendo as contradições sociais e o desrespeito à constituição (pois sim,acreditamos no futuro da nação), seguido de uma melhor distribuição da farta arrecadação tributária,investimentos em educação e, por último,visando uma próspera política externa de exportação.Já era a hora do país deixar de atribuir aos erros dos maus brasileiros a culpa por não se sentir capaz!Por mais quanto tempo a esperança iria esperar no cais?
Senhoras, senhores, esse espetáculo chegou ao fim e digo: estará fora de cartaz.

18.4.09

Paraquempediapalavras...

Peço perdão e dou-lhes números inexatos: 2,7,8. 18. 10, 67,2,25,6 (?)

15.11.08

Silêncio tem som de sirene

É noite.Ela se encontra só na sua cama,no escuro.A cidade dorme.Ele,mudo e poderoso,vem invadí-la.Para depois arrastá-la ao encontro do qual ela tanto foge: aquele com ela mesma.

Não há silêncio pleno.Tampouco há plenitude.Ambos só se encontram na morte,pensou ela.Assim,quando estamos sós,conosco,viemos a nos escutar,a escutar perfeitamente nossos pensamentos,medos,receios,desejos ardentes,raivas e planos.Que como um alarme às cinco e meia da matina vem nos acordar feito tapa na cara e nos levar ao dia,à realidade,à lucidez em seu estado mais primário.Um alarme estridente,denunciante. - Silêncio..silêncio tem som de sirene.E, "alarmante" ele é para nossa condição de seres que vivem,seres que pensam,seres que sentem.

Descobrimos que os demônios não vivem do lado de lá,eles se enterram profundamente onde podem se esconder e é nesses silêncios noturnos é que eles saem e aparecem para nos assombrar.Dentro de um cofre ou no fundo do oceano,imersos no líquido mãe,ainda nos sentiremos vulneráveis."Todos nós temos cicatrizes,mas nós não gostamos de mostrá-las",nem de vê-las.

De medos e cansaços,ela depois endormeçe.
E acorda,vai viver de novo o dia e a noite.

7.10.08

L´étranger est plutôt pour moi quelqun qui enrichit ma personnalité et ma culture..


Nota prévia: este pequenino ( hãn, hãn?) texto que aqui segue foi minha resposta ( a qual eu demorei duas horas para escrever e traduzir) à um exercício do " cour de philosophie".Coincidentemente a pergunta era sobre a influência do(s) estrangeiro(s) sobre nós.O professor sorriu discretamente e nada mais disse.

... parce que le contact avec des autres nouvelles cultures permet plusieurs reactions, comme la récusation, l´acceptation et même l´identification.C´est à travers de telle identification ( ou non) que nous, êtres humains,decouvrons et construisons notre personalité,nos goûts,notre culture,notre conaissance et notre vision du monde.Le contraire ne nous permettrait jamais de se développer.
Comme argument , je prends ma propre experience d´être ici comme une élève étrangère et devant un monde, un peuple et une culture qui me sont étrangères.À vivre avec differents habitudes,avec une differente famille,à parler une differente langue, à étudier dans un different Lycée et dans un different pays; mais, plus qu´un voyage à l´étranger, c´est LE voyage à travers moi même, un voyage d´introspection.

4.9.08

As histórias se repetem, mudam os cenários

Não importa em que país estejamos, é sempre a mesma coisa.O imo de todo ser humano,no final das contas, é igual.
Nascemos,crescemos,falamos,obrservamos,reconhecemos- primeiro à nossos pais-depois aos entes, aos próximos,amigos e por aí vai.Rotina.Na mesa do jantar, as mesmas besteiras, as mesmas brincadeiras, os mesmos assntos.Aula.Colégio.Grupos formados, ares (des)cansados.Conversinhas,risinhos.Indiferença, salvo alguns sim, aí e aqui - abençoados sejam!!Laços à apertar, laços à dar.Beijos e abraços que sonho que saudo, dos quais me falto.
No final das contas, o ser humano é o mesmo.Quer é reconhecimento ( carinho, atenção,interesse alheio), amar e ser amado.

18.8.08

O verdadeiro amor da minha vida ( até agora,pelo menos)

Meu amor, venho por meio desta declarar-me a você, grande e perpétuo amor de minha existência.Bem sei que você já teve muitas (não duvido que muitos também)-o que de forma alguma faça considerar-te promíscuo,não..- eu sei que você despretenciosamente desperta as mais quentes e arrebatedoras paixões, e que eu ,provavelmente só sou " mais uma", mas não me importo, me contento com o posto de amante- a que me foi reservado desde o nascimento.Prometo exercê-lo por inteira e a você,amor, eu me entrego sem hesitar... de corpo alma e mente.Me perco e me encontro em seu visual,na vida nunca encontrei tanta beleza distinta reunida.O calor dos seus beijos se espalha pelos pêlos,boca e cabelos, me doura a pele ao leo,me ilumina o colo,os seios,as pernas.Já seus abraços se arrebentam no meu corpo e me arrebatam, me refrescam enquanto mergulho numa calmeria e paz interior em nenhum outro lugar antes sentidas.
Mas não são só suas qualidades físicas que me encantam, meu amor.Não,não-..seria demasiadamente supérfulo de minha parte, além do quê - beleza, muitos outros tem.Você..ai,você. Você tem um quê de charme ao falar,ao andar,ao SER.Você amor, é a personificação em pessoa.Você tem o que dizer,o que cantar, você (nos) dá sobre o quê cantar.Você tem aonde ir e o quê fazer.Sabe o que é o lazer,o prazer..você.
Acima de tudo, meu amor.Tens valores e és livre de maiores preconceitos, muito embora hospede-os em casa.Por você, o milionário da Av. Viera Souto e o vendedor de balas,morador do morro do Pavãozinho podem se sentar um ao lado do outro e desfrutar das mesmas coisas, porque sim, você faz o sol nascer pra todos!Nesse ponto amor, você é tão democrático!És democrático com globais e com los outros, és democrático com os corpos!
Perdão amor, se essa declaração não está à sua altura, nem comparável com aquelas que estás acostumado a receber.É que sempre irá faltar algo para que eu,por todo, venha a te conhecer.
Te amo, meu Rio de Janeiro.